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28 de junho de 2026· 8 min de leitura

O recargo de equivalência espanhol explicado para a tua loja

O recargo de equivalencia é um regime de IVA espanhol que apanha de surpresa quase todos os comerciantes por conta própria. Se tens uma pequena loja em Espanha, aquela percentagem "estranha" nas faturas dos teus fornecedores é provavelmente ele. Aqui em linguagem simples: o que é, a quem se aplica e como afeta os teus preços.

Aviso: este artigo é informativo e não constitui aconselhamento fiscal. As regras têm exceções e mudam. É um regime espanhol, por isso útil sobretudo se vendes em Espanha. Confirma sempre a tua situação com o contabilista.

O que é o recargo de equivalência

O recargo de equivalência (recargo de equivalencia) é um regime especial de IVA em Espanha, pensado para os retalhistas mais pequenos. A ideia de fundo é simples: como uma loja de bairro compra a fornecedores e revende ao cliente final sem transformar o produto, a administração decidiu simplificar-lhe o IVA em troca de um pequeno suplemento pago antecipadamente.

Como funciona essa simplificação? Em vez de seres tu a gerir o IVA, a declará-lo todos os trimestres e a fazer a liquidação, é o teu fornecedor quem cobra uma percentagem extra (o recargo) na fatura, além do IVA normal. Em troca, não tens de apresentar as declarações periódicas de IVA da tua atividade de retalho. Pagas um pouco mais em cada compra, mas evitas grande parte da papelada e da gestão do imposto.

Numa frase: o fornecedor cobra-te IVA + recargo na fatura, e em troca ficas libertado de declarar o IVA da tua loja. Menos burocracia, um custo um pouco mais alto.

A quem se aplica em Espanha

Para quem abrange, o recargo não é opcional: é obrigatório quando se cumprem as condições. Em traços gerais, aplica-se a:

E um ponto-chave: não se aplica às sociedades (uma SL espanhola, por exemplo, não está neste regime). Nem às atividades consideradas de fabrico ou transformação, nem a uma longa lista de exceções por tipo de produto (joalharia, peles, máquinas industriais, veículos e outros, que ficam fora do regime).

É aqui que a maioria das pessoas se engana. Saber se estás ou não neste regime, e por que produtos, tem nuances. Se acabaste de abrir ou vais mudar de atividade, não o decidas sozinho: pergunta ao teu contabilista. Uma conversa de cinco minutos que te evita sarilhos.

Como convive com o IVA

A confusão mais frequente é pensar que o recargo substitui o IVA. Não é assim: o recargo vai sempre junto com o IVA, por cima dele, nunca no seu lugar. Cada taxa de IVA tem o seu recargo correspondente.

E aqui está um detalhe importantíssimo para a tua loja: o recargo é algo que pagas na compra, não algo que cobras ao cliente. Quando vendes, cobras ao teu cliente o IVA normal do produto (4%, 5%, 10% ou 21%, conforme o caso) exatamente como qualquer comércio. O recargo não aparece no teu talão e não o adicionas ao cliente. Vive apenas nas faturas que os teus fornecedores te emitem.

Regra de ouro: o recargo pagas tu ao comprar; o IVA cobras tu ao vender. O cliente nunca vê a palavra "recargo".

A tabela oficial de taxas

Cada taxa de IVA tem o seu recargo associado. Esta é a correspondência que o teu fornecedor aplica na fatura:

Taxa de IVARecargo de equivalênciaExemplo típico
21% (normal)5,2%Bazar, drogaria, bebidas, limpeza
10% (reduzida)1,4%Alguns alimentos e bebidas
5% (reduzida)0,62%Aplicável a certos produtos segundo a legislação
4% (super-reduzida)0,5%Pão, leite, ovos, fruta, legumes, livros
Tabaco1,75%Recargo especial para produtos do tabaco

Repara que os recargos são percentagens pequenas comparadas com o IVA, mas somam-se a um custo que já leva IVA, por isso contam. As taxas de IVA aplicáveis a cada produto podem mudar por legislação, por isso a coluna de exemplos é indicativa: o que manda é a lei em vigor.

Como aparece na fatura do fornecedor

Vejamos um caso concreto para ficar claro. Compras ao teu grossista um lote de produtos de bazar (IVA 21%) por uma base tributável de 100 €:

1
Base tributável: 100,00 €. O preço da mercadoria sem impostos.
2
IVA (21%): 21,00 €. O IVA normal de qualquer fatura.
3
Recargo de equivalência (5,2%): 5,20 €. É o que o fornecedor adiciona por estares neste regime.
Total da fatura: 126,20 €. Pagas 5,20 € mais do que um comércio normal, e em troca esqueces a liquidação do IVA.

Esse recargo, tal como o IVA, faz parte do teu custo real da mercadoria. Não o podes deduzir como uma empresa deduz o IVA suportado: para ti é puro custo. Daí ser tão importante tê-lo em conta.

Como afeta os teus preços e a margem

Aqui está a consequência prática que realmente te interessa. Como o recargo encarece a tua fatura de compra, o teu custo real por produto é maior do que o que uma sociedade pagaria pela mesma mercadoria. Se calculares a margem esquecendo o recargo, vais acreditar que ganhas mais do que ganhas.

Voltando ao exemplo: o preço que parecia o teu custo era apenas o valor sem impostos, enquanto o teu desembolso leva IVA e recargo. Quando fixares o preço de venda, parte sempre do teu custo real, recargo incluído. Para rever como fixar bem o preço a partir do custo e da margem objetivo, explicamos passo a passo no nosso guia sobre preços e margem da tua loja.

E como o recargo viaja nas faturas dos teus fornecedores, manter essas faturas organizadas e sob controlo poupa-te surpresas. Para afinar essa parte, vê como gerir fornecedores sem perder o controlo dos custos.

O essencial: o recargo não muda o preço que cobras ao cliente, mas muda o teu custo. A tua margem real calcula-se sobre o custo com IVA e recargo incluídos.

Como o Bipe te ajuda

É aqui que um TPV moderno te tira a dor de cabeça. O Bipe é pensado para mercearias e bazares em Espanha, por isso percebe como funcionam o IVA e o recargo de equivalência e calcula-os automaticamente em cada operação, sem teres de fazer contas à mão.

Atribuis a cada produto a sua taxa de IVA correta e o Bipe aplica o devido na venda. Na entrada de mercadoria, quando registas o que o fornecedor te cobrou, podes refletir o custo real com o seu recargo, de modo que a margem que vês por produto seja a verdadeira, não uma inflacionada por esquecer o recargo. Assim defines preços com dados corretos e não a olho.

Quanto à papelada, a faturação eletrónica e o suporte Verifactu chegarão em breve ao Bipe; ainda não estão disponíveis, mas estão no horizonte para que a tua loja esteja preparada.

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Perguntas frequentes

O que é o recargo de equivalência?

É um regime especial de IVA espanhol pensado para os pequenos comerciantes por conta própria. O teu fornecedor cobra na fatura uma percentagem extra além do IVA (o recargo) e, em troca, ficas isento de apresentar as declarações periódicas de IVA da tua atividade de retalho. Na prática pagas um pouco mais em cada compra mas evitas a papelada trimestral do IVA.

Quais são as taxas do recargo de equivalência?

O recargo acompanha cada taxa de IVA: 5,2% com o IVA de 21%, 1,4% com o IVA de 10%, 0,62% com o IVA de 5% e 0,5% com o IVA de 4%. O tabaco tem um recargo especial de 1,75%. Estas percentagens são aplicadas pelo teu fornecedor na fatura, não por ti ao cliente.

A quem se aplica o recargo de equivalência?

Aplica-se obrigatoriamente a comerciantes de retalho que sejam pessoas singulares (por conta própria) ou certas entidades, e que vendam ao consumidor final sem transformar o produto. Não se aplica a sociedades como uma SL espanhola. Como há exceções por atividade, confirma sempre o teu caso com o contabilista.

O recargo de equivalência muda o preço que cobro ao cliente?

Não diretamente. Ao cliente continuas a cobrar o IVA normal de cada produto; o recargo nunca aparece no teu talão. O que muda é o teu custo de compra, porque o fornecedor o adiciona à fatura. Por isso deves tê-lo em conta na margem: o teu custo real inclui IVA mais recargo.