Produtos mais vendidos e rotação de stock: o que comprar
Na tua loja há dois tipos de produtos: os que voam e os que estão há meses a apanhar pó. Saber qual é qual muda por completo o que compras, o que voltas a encomendar e o dinheiro que tens disponível. Explicamos como ver isto com clareza.
O que é a rotação de stock e porque importa
A rotação de stock é, em bom português, a velocidade a que um produto se vende e volta a entrar. Um refrigerante que repões de dois em dois dias tem uma rotação altíssima. Um brinquedo que compraste há oito meses e continua na prateleira quase não tem nenhuma.
Porque é que isto te deve importar? Porque o stock não é "ter produtos": é o teu dinheiro metido na prateleira. Cada caixa que compras é dinheiro que sai do teu bolso e só volta quando esse produto se vende. Se roda depressa, esse mesmo dinheiro trabalha para ti muitas vezes por ano. Se roda devagar, fica ali parado, sem gerar nada, enquanto tu precisas dele para pagar ao fornecedor do que realmente vende.
Produtos estrela vs stock morto
Todo o teu catálogo se pode dividir, em traços gerais, em dois extremos que precisas de identificar:
Os produtos estrela
São os que mais rodam: entram e saem constantemente, aparecem vezes sem conta nas vendas do dia e, somados, fazem a maior parte da tua faturação. Costumam ser poucos, mas são os que seguram a loja. Aqui uma rutura (ficar sem eles) dói mesmo, porque cada vez que um cliente não o encontra é uma venda perdida e, muitas vezes, uma ida à concorrência.
O stock morto
É o contrário: produto que há semanas ou meses quase não vendes. Ocupa espaço, ocupa dinheiro e não gera caixa. Às vezes foi uma compra a olho que não pegou, às vezes algo de época que ficou, às vezes uma referência que deixou de agradar. Não é um drama, mas cada euro preso em stock morto é um euro que não podes pôr no que vende.
A maioria das lojas não faz ideia de quantos euros tem imobilizados em stock morto, simplesmente porque nunca olhou. E costuma ser mais do que imaginam.
A análise ABC, sem jargão
Há uma forma muito simples de ordenar os teus produtos a que os especialistas chamam "análise ABC". Soa técnico, mas a ideia é de senso comum: nem todos os produtos importam o mesmo, por isso não dês a todos a mesma atenção.
Ordenas os produtos pelo que contribuem para as vendas e agrupa-los em três blocos:
- Grupo A — os imprescindíveis: os poucos produtos (tipicamente cerca de 20%) que fazem a maior parte da faturação. Estes nunca devem faltar. São a tua prioridade absoluta.
- Grupo B — os intermédios: vendem de forma constante sem serem estrelas. Merecem atenção, mas podes dar-lhes um pouco mais de folga.
- Grupo C — a longa cauda: a maioria das referências, que vendem pouco cada uma. Somam variedade, mas é aqui que costuma esconder-se o stock morto. Não é preciso encher de existências este grupo.
Como o TPV te dá estes dados, sozinho
Aqui está a boa notícia: não tens de calcular nada disto à mão nem de manter um Excel. Se cobras com um TPV, cada venda que passa na caixa já está a guardar a informação de que precisas. Só tens de a olhar.
Nos relatórios de vendas do Bipe vês num relance:
- O ranking dos produtos mais vendidos por unidades e por dinheiro, no período que quiseres (hoje, esta semana, este mês). Ali estão as tuas estrelas, sem discussão.
- O que há tempo não se vende, para detetar o stock morto antes de te esqueceres de que o tens.
- Quanto stock te resta de cada coisa, porque cada venda o desconta automaticamente.
- Um aviso quando um produto desce abaixo do mínimo que definires, para repores a tempo o que mais vende.
Com isto deixas de comprar por intuição e começas a comprar por dados reais da tua própria loja. Não os de um manual: os teus.
O que fazer com cada tipo de produto
Com os estrela: repõe a tempo, nunca os deixes cair
Dá-lhes um stock mínimo generoso e volta a encomendar antes de esgotarem. Negoceia melhor preço por volume com o fornecedor e dá-lhes o melhor lugar na loja. São eles que pagam as contas.
Com os intermédios: mantém e observa
Não precisam de tanta vigilância, mas revê de vez em quando se algum está a subir (candidato a estrela) ou a cair. O retrato muda com as épocas.
Com o stock morto: recupera o dinheiro
Não o deixes ali eternamente. Baixa-lhe o preço, põe-no num pack com algo que sai, dá-lhe mais visibilidade ou faz uma promo. O objetivo não é ganhar com esse produto, é recuperar o dinheiro preso e libertar espaço.
Com o que não volta a entrar: aprende e não repitas
Se algo não funcionou, risca essa referência das próximas encomendas. Meia loja melhora sozinha só por deixares de comprar o que já sabes que não roda.
Como evitar ficar sem o que mais vende
Uma rutura de um produto estrela é dos erros mais caros, porque é venda perdida no que tem mais procura. Para evitar:
- Define um mínimo por produto a pensar em quanto o fornecedor demora a servir-te. Se demora uma semana, o teu mínimo deve cobrir uma semana de vendas mais uma margem.
- Deixa o sistema avisar-te. Um TPV que desconta o stock a cada venda pode avisar-te quando algo desce abaixo do mínimo, em vez de saberes quando um cliente te diz que já não há.
- Conta com os picos. Fim de semana, início do mês, época... se sabes que um produto dispara em certas datas, reforça antes.
Erros comuns que custam dinheiro
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O que é a rotação de stock?
É a velocidade a que um produto se vende e é reposto. Um produto de rotação alta entra e sai depressa; um de rotação baixa fica semanas ou meses na prateleira a imobilizar o teu dinheiro. Quanto maior a rotação, mais vezes o mesmo dinheiro trabalha para ti ao longo do ano.
O que é o stock morto?
É o produto que há muito não vendes e que ocupa espaço e dinheiro sem gerar caixa. Nem sempre é preciso deitá-lo fora: muitas vezes basta liquidá-lo, pô-lo num pack ou dar-lhe melhor lugar na loja para recuperar o dinheiro e abrir espaço para o que vende.
O que é a análise ABC numa loja?
É ordenar os teus produtos pelo que contribuem para as vendas. O grupo A são os poucos produtos que fazem a maior parte da faturação, o B os intermédios e o C a longa cauda de referências que vendem pouco. Serve para saber o que priorizar: os A nunca devem faltar.