Devoluções e trocas na tua loja: política clara e um processo sem complicações
Uma devolução mal feita rouba-te tempo, gera discussões ao balcão e desequilibra-te a caixa. Com uma política escrita clara e um processo organizado no TPV, deixa de ser um problema e passa a ser um motivo para o cliente voltar.
Porque precisas de uma política escrita
O erro mais comum não é ser demasiado rígido nem demasiado generoso: é improvisar. Quando cada devolução se decide na hora, acabas por aplicar critérios diferentes consoante o dia, o cliente ou o teu humor. Isso gera queixas («à minha vizinha trocaram») e, pior, diferenças na caixa.
Uma política escrita resolve três coisas de uma vez: dá-te um argumento tranquilo para dizer sim ou não, faz com que a tua equipa aplique sempre a mesma regra e dá segurança ao cliente antes de comprar. Não precisa de ser um texto jurídico interminável; bastam umas linhas claras coladas junto à caixa e, se vendes online, no teu site.
O que diz o bom senso (e a lei, sem inventar artigos)
Convém separar duas situações que costumam confundir-se:
- Um produto defeituoso, ou que não é o que foi vendido. Aqui o cliente tem direito a uma solução (reparação, troca ou reembolso). Não é um favor teu: respondes pelo que vendes.
- Um produto perfeito que o cliente já não quer. Isto é «arrependimento». Numa loja física, aceitá-lo depende normalmente da tua política, não de uma obrigação. És tu que decides se o permites e em que condições.
Se também vendes pela internet, tem em conta que a venda à distância segue regras diferentes das do balcão. Não te fies em boatos: confirma a legislação que te aplica no teu país ou consulta o teu contabilista. A regra de ouro é nunca prometer menos do que a lei exige e nunca prometer mais do que a tua margem aguenta.
As quatro decisões que toda a política deve responder
Com talão e sem talão
O talão é o teu melhor amigo: confirma que o produto foi comprado na tua loja, a que preço e quando. Por isso é razoável ser mais flexível quando há talão e impor condições quando não há.
Uma política habitual e justa é: com talão, reembolso dentro do prazo; sem talão, troca ou vale ao preço atual do artigo, nunca dinheiro. Assim proteges a caixa e continuas a ficar bem com o cliente.
Produtos que é razoável não aceitar de volta
Numa loja de bairro, bazar ou mercearia há artigos que, por higiene ou pela sua natureza, não deviam voltar à prateleira:
- Alimentação aberta ou perecível. Uma vez fora do frigorífico ou sem selo, não a podes revender com garantias.
- Higiene e cosmética sem selo. Cremes, produtos de higiene íntima, maquilhagem aberta: por saúde não regressam ao stock.
- Produtos personalizados ou cortados à medida. O que foi feito de propósito para esse cliente não tem segunda venda.
- Artigos em promoção de última unidade ou em liquidação, se o indicaste ao vender.
A chave não é a lista em si, mas que esteja escrita e à vista antes de pagar. Um cliente avisado quase nunca discute; quem se sente enganado na caixa, sim.
Como registar a devolução no TPV sem desequilibrar a caixa
É aqui que muitas lojas se complicam. Tirar dinheiro da gaveta «à mão» para devolver é a receita perfeita para que ao fecho nada bata certo. O processo correto é sempre o mesmo:
Feito assim, ao fechar a caixa não aparece nenhuma diferença misteriosa: o sistema já contou essa devolução pelo que é. E de bónus tens o histórico de devoluções para detetar se um produto é devolvido demasiadas vezes (sinal de um problema de qualidade ou de descrição).
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Sou obrigado a aceitar uma devolução sem defeito?
Se o produto não tem qualquer falha e foi comprado em loja física, a devolução por arrependimento depende normalmente da tua política, não de uma obrigação. Um produto defeituoso é diferente: aí tens de responder. O saudável é teres uma política própria escrita e aplicá-la igual para toda a gente.
Posso aceitar devoluções sem talão?
Podes, mas convém impor condições: sem talão costuma oferecer-se troca ou vale em vez de reembolso em dinheiro, ao preço atual do produto. Se o teu TPV regista cada venda, muitas vezes consegues localizar o talão por data ou por cartão sem pedir o papel ao cliente.
Que produtos posso recusar receber de volta?
Por bom senso e higiene, costumam ficar de fora a alimentação aberta ou perecível, produtos de higiene ou cosmética sem selo, e artigos personalizados. Deixa-o escrito e bem visível para que ninguém tenha surpresas na caixa.
Como registo uma devolução sem desequilibrar a caixa?
Usa a função de devolução do TPV em vez de tirar dinheiro à mão. Assim o valor fica registado, o produto volta ao stock se estiver em bom estado, e ao fechar a caixa não aparece nenhuma diferença porque o sistema já o contou.